Desinfetantes químicos e antisséticos, o que são?

Os desinfetantes são agentes químicos que destroem ou inibem os microrganismos patogénicos no seu estado vegetativo (não esporulado). O processo de desinfeção é definido (de acordo com a “The British Standard Institution”) como sendo um processo que não elimina, necessariamente, todos os microrganismos, mas que os reduz a um nível que não prejudique a saúde ou a qualidade de artigos perecíveis. Este processo é aplicável a superfícies de objetos inanimados.

Os antisséticos são compostos que destroem ou inibem o desenvolvimento de microrganismos em tecidos vivos sem provocar danos, quando aplicados a superfícies do corpo ou tecidos expostos. A aplicação dos antisséticos contribui para reduzir a população microbiana na pele antes de, por exemplo, uma cirurgia, ou nas mãos, para prevenir a contaminação por esta via. Os antisséticos são, habitualmente, concentrações baixas dos agentes utilizados na desinfeção.

Avaliação da eficácia de um desinfetante ou antissético

A eficácia da ação de um desinfetante ou antissético deverá ser avaliada de acordo com a utilização prevista do produto a testar.

Os ensaios efetuados para a avaliação da eficácia de um determinado agente antimicrobiano devem ser baseados em normas de referência e poderão ser efetuados in vitro ou in vivo.

A seleção da norma de ensaio a utilizar para a avaliação prévia do produto é fundamental na avaliação da atividade antimicrobiana de desinfetantes e antisséticos.

Requisitos obrigatórios

Nas normas de referência encontram-se descritos os requisitos do ensaio e o valor mínimo de redução microbiana que o produto deverá demonstrar.

Nos requisitos obrigatórios encontram-se discriminados os microrganismos a testar, o tempo e temperatura de contacto do produto e a substância interferente a utilizar.

A importância do interferente, neste tipo de avaliação, está relacionado com o fato de a matéria orgânica possuir um efeito drástico na atividade antimicrobiana, quer por adsorção ou por inativação química, resultando na redução da concentração do agente ativo. Pode ainda atuar como barreira na penetração do desinfetante. O interferente vai mimetizar estas condições, permitindo uma avaliação do produto em condições mais próximas da sua aplicação real.

Durante o ensaio é de extrema importância a manipulação e conservação das estirpes microbianas, a preparação da amostra e o controlo de qualidade analítico que é efetuado durante o ensaio.

Como interpretar os resultados?

Para o produto ser considerado eficaz deverá provocar a redução de todos os microrganismos indicados na norma de referência, de acordo com o valor pré-definido.

Apesar de, em alguns casos, se observar alguma redução do número de microrganismos, é importante realçar que esta redução terá de ser superior ou igual à indicada na norma de referência.

Podem, de igual modo, ser testados mais microrganismos ou condições de ensaio (ex: outras temperaturas) sendo que, a eficácia da atividade antimicrobiana de um produto, nestas condições adicionais, apenas será considerada se cumprir os requisitos obrigatórios do teste.

Porquê avaliar?

Para demonstrar a eficácia dos desinfetantes e antisséticos contra os microrganismos alvo.

Para garantir a aplicação das normas de referência e dos seus critérios de avaliação e condições previamente validadas.

 

Para uniformizar os critérios de avaliação, ao cumprir com o estipulado em normas internacionais.